Nutricionista Angelita Ewald - Lajeado - RS

Emagrecimento em grupo, reeducação alimentar, nutrição clínica, escolar e esportiva.

Nutricionista Angelita Ewald - Lajeado - RS

Emagrecimento em grupo, reeducação alimentar, nutrição clínica, escolar e esportiva.

Nutricionista Angelita Ewald - Lajeado - RS

Emagrecimento em grupo, reeducação alimentar, nutrição clínica, escolar e esportiva.

Nutricionista Angelita Ewald - Lajeado - RS

Emagrecimento em grupo, reeducação alimentar, nutrição clínica, escolar e esportiva.

Nutricionista Angelita Ewald - Lajeado - RS

Emagrecimento em grupo, reeducação alimentar, nutrição clínica, escolar e esportiva.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

PANCS???... O QUE É ISSO?


A alimentação orgânica, balanceada e rica em nutrientes, é buscada por um número cada vez maior de pessoas – o que poucas delas têm se dado conta, até agora, é que esta necessidade pode ser suprida com o consumo de plantas ainda inexploradas pelo paladar. Conhecidas como Pancs, as plantas alimentícias não convencionais são facilmente encontradas na natureza e podem trazer a biodiversidade de volta ao prato dos brasileiros. Abrangem desde plantas nativas e pouco usuais até exóticas ou silvestres com uso alimentício direto (na forma de fruto ou verdura) e indireto (amido, fécula ou óleo). Em geral, não fazem parte do cardápio  diário da maior parte das pessoas e não costumam ser encontradas em mercados convencionais. Elas não são transgênicas e, na maior parte dos casos, são orgânicas.

Da Amazônia ao Rio Grande do Sul, as Pancs crescem espontaneamente em qualquer ambiente. Sua alta resistência faz com que sejam encontradas em quase todos os lugares, pois são nativas de cada região. No mundo todo, a riqueza de plantas alimentícias foi estimada em 75 mil espécies em 1991, pelos ambientalistas  Kenton Miller e Laura Tangley, autores do livro “Trees of Life: Saving Tropical Forests and Their Biological Wealth”. Apesar de serem tão comuns, ainda são poucos os que percebem sua função alimentar. O desconhecimento nos leva a considerá-las como pragas e inços que descartamos, ignorando seu alto valor nutritivo.

Nem sempre foi assim. Várias Pancs costumavam ser consumidas por nossos avós ou bisavós. Sua eliminação do cardápio diário foi se dando devido à pouca diversidade da agricultura convencional, que limita a dieta contemporânea a poucas espécies, como o trigo e arroz, e também devido ao afastamento do homem com o contato da natureza e da produção de seus alimentos. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima que o número de plantas consumidas pelo homem caiu de 10 mil para 170 nos últimos cem anos, devido aos interesses comerciais da agroindústria.
No Brasil, a utilização dessas plantas voltou à tona com a publicação, em 2014, do livro “Plantas Alimentícias Não Convencionais (Panc)” no Brasil – Guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas” de Valdely Kinupp e Harri Lorenzi. Na obra, estão catalogadas 351 espécies consumidas no passado ou em alguma região do país e do mundo, com imagens para facilitar sua identificação, além de informações sobre seu uso culinário e receitas. O livro tem sido considerado o grande manual para um número crescente de adeptos da alimentação orgânica e saudável.

Embora ainda distantes do cardápio da maioria dos brasileiros, algumas Pancs já fazem parte de pratos da alta cozinha, por meio das mãos de chefs como Alex Atala e Helena Rizzo. Considerado um dos melhores restaurantes do mundo, o paulista Maní, de Helena Rizzo, oferece uma sobremesa de mil folhas com creme de caule (rizoma) de lírio e sorbet de flores de lírio-do-brejo. Este último ingrediente é o não-convencional: perfumado e delicado, encantou a chef em 2014, quando ela o descobriu em uma incursão pela mata no litoral norte de São Paulo.

Vegetais como o taiá, a vinagreira e a bertalha foram substituídos, na alimentação dos brasileiros por espécies como a couve, a rúcula e a alface. E o que é uma planta comestível pouco difundida em um lugar, pode ser uma verdura tradicional em outra parte do mundo. Especialista em cultura culinária e gastronômica, o sociólogo Carlos Alberto Dória explicou à Revista da Cultura que a rúcula era considerada uma erva daninha até pouco tempo atrás. E hoje, é uma de nossas saladas mais básicas. “Há uma fronteira móvel entre cultura e biodiversidade”, afirmou Dória, explicando que, enquanto já existem pessoas  explorando os cogumelos da Mata Atlântica, os supermercados brasileiros ainda só vendem os da Ásia e os da Europa.
Além das plantas que jamais chegam à nossa cozinha, também podemos considerar Pancs outras que são comuns, das quais fazemos uso apenas de uma parte, sem levar em conta que outras também podem ser consumidas. É o caso da bananeira, que, além do fruto, pode ter os mangarás (corações ou umbigo) e os frutos aproveitados.
O desconhecimento sobre as Pancs priva o paladar de experiências muitas vezes saborosas – e organismo, do acesso fácil a uma série de nutrientes necessários para a manutenção da saúde. Isso porque muitas destas plantas têm mais nutrientes (como o ferro) do que os convencionais. Aproveitamos, então, para listar uma série delas. Fique atento: as Pancs podem estar no seu quintal, em hortas, terrenos baldios e até nas calçadas da cidade.
8 Pancs
ORA-PRO-NÓBIS
Uma das mais conhecidas entre as não-convencionais, é encontrada em abundância especialmente no Sudeste, mas está presente também em outras regiões. Trepadeira, desenvolve-se em vários tipos de solo e de clima, é de fácil cultivo e tem alto valor nutricional. É rica em vitaminas A, B e C, fibras, fósforo e fósforo. As folhas são sua parte comestível, podendo ser consumidas secas ou frescas, cruas ou cozidas, e até acrescentada a massas de pães. Veja aqui uma receita com ora-pro-nóbis.

BERTALHA
Trepadeira com folhas e caules verdes, carnosos e suculentos, tem aparência similar à do espinafre. É rica em vitamina A, além de oferecer outros nutrientes como vitamina C, cálcio e ferro. As folhas e os ramos novos devem ser consumidos logo após a colheita, refogados ou em substituição ao espinafre e à couve, ou em omeletes, quiches e tortas. Crua, pode ser ingerida junto a saladas verdes. Se preferir prepará-la em uma sopa, deixe para acrescentá-la por último, pois a bertalha não deve ser cozida em excesso.
SERRALHA
Para encontrá-la, preste atenção a locais perto de cercas e de muros, em quintais e em terrenos baldios. A serralha é fonte de vitaminas A, D e E. Desenvolve-se em quase todo o mundo pode servir de insumo para a preparação de saladas e de receitas cozidas. Seu sabor é amargo e lembra o do espinafre.
BELDROEGA
De crescimento espontâneo em muitas partes do mundo, adapta-se a diversos tipos de clima, mas requer que o sol incida diretamente sobre ela. Suas folhas e ramos podem ser consumidos crus, em saladas. Quando cozidos, servem de ingrediente para pratos refogados e assados, além de sopas. Suas sementes também podem ser ingeridas – a sugestão é acrescentá-las a uma farinha de cereal depois de moídas. É rica em ácidos graxos ômega-3 e seu sabor tende a variar de acordo com a forma de cultivo.
HIBISCO (OU VINAGREIRA)
Arbusto vigoroso, está entre as maiores fontes de ferro do reino vegetal – possui quase o dobro que o espinafre. Tem como partes comestíveis as folhas jovens e as pontas dos ramos – experimente e veja que o sabor ácido justifica o seu nome. A flor e as sementes também podem ser consumidas. Prepara-se a vinageira crua, refogada ou cozida. É uma planta que gosta do clima quente e úmido e pode ser cultivada em todo o tipo de solo, desde que bem drenado. Leia mais sobre ela aqui.
TAIOBA
Comestíveis e saborosas, as folhas desta planta já foram bastante apreciadas na culinária mineira, mas acabaram sendo esquecidas ou substituídas com o passar do tempo. Os motivos sobram para voltar a adotá-la como fonte alimentícia, e não apenas para os mineiros. É rica em vitaminas A, B, C e em minerais como cálcio e fósforo. A abundância de ferro faz com que a sabedoria popular lhe atribua a cura da anemia. Uma dica é prepará-la refogada. Por conter ácido oxálico, a planta crua pode causar irritação na boca. Mas, atenção! Existem muitas plantas da família das Araceas, muito parecidas com a taioba, porém não comestíveis.  A planta cresce melhor na sombra e em locais úmidos.
DENTE-DE-LEÃO
Essa planta cresce naturalmente em várias regiões do Brasil (e do mundo inteiro) e há outros motivos para incluí-la na dieta: o dente-de-leão selvagem tem sete vezes mais fitonutrientes do que o espinafre, além de ser grande fonte de vitaminas A e C. Suas folhas podem dar origem a pratos refogados e cozidos, além de saladas. O consumo também pode se estender às flores. Algumas pessoas utilizam as raízes torradas e moídas como um substituto ao café.

JACATUPÉ
Planta rústica e de cultivo simples, adapta-se facilmente a diferentes regiões brasileiras e é conhecida, também, como feijão-batata. Grande fonte de proteínas, chegou a ser comercializada em mercados, mas desapareceu devido ao consumo de vegetais convencionais. As raízes são sua parte comestível e podem ser preparadas cruas ou cozidas.

Clique aqui para usar o guia de produtos orgânicos Teia Orgânica. Com ele é fácil encontrar quem produz e comercializa plantas alimentícias não convencionais. Basta escrever pancs ou o nome da planta no campo de busca.
FONTE: